RESUMO: Este Artigo tem o objetivo de demonstrar a contribuição do Cooperativismo para o fortalecimento econômico e social da Região Norte do Brasil. O Cooperativismo tem exercido uma função crucial no progresso econômico e social da Região Norte, particularmente em regiões caracterizadas por grandes distâncias geográficas, baixa industrialização e alta dependência de recursos naturais. Cooperativas de produção, crédito, transporte, consumo e serviços têm contribuído para o fortalecimento das cadeias produtivas locais, proporcionando opções de geração de renda e inclusão social para comunidades rurais, ribeirinhas, indígenas e urbanas. Ao incentivar a organização coletiva, o cooperativismo fortalece a independência dos trabalhadores, simplifica o acesso ao crédito e expande a habilidade de negociação dos produtores perante os mercados locais e nacionais. Ademais, as cooperativas promovem práticas de manejo sustentável das florestas e valorizam conhecimentos tradicionais, o que contribui para a preservação ambiental e uso responsável dos recursos naturais. No âmbito social, fortalecem o capital social ao incentivar a capacitação profissional, o engajamento democrático e a distribuição mais justa dos frutos da economia. Assim, o cooperativismo não só eleva os índices econômicos, como também fortalece a união comunitária e a cidadania ativa, tornando-se um caminho significativo para o desenvolvimento sustentável e inclusivo na Região Norte.
Palavras chave: Cooperativas. Crédito. Sistema. Economia.
ABSTRACT: This article aims to demonstrate the contribution of cooperativism to the economic and social strengthening of the Northern Region of Brazil. Cooperativism has played a crucial role in the economic and social progress of the Northern Region, particularly in regions characterized by large geographical distances, low industrialization, and high dependence on natural resources. Production, credit, transport, consumer, and service cooperatives have contributed to strengthening local production chains, providing income generation options and social inclusion for rural, riverside, indigenous, and urban communities. By encouraging collective organization, cooperativism strengthens the independence of workers, simplifies access to credit, and expands the negotiating ability of producers in local and national markets. Furthermore, cooperatives promote sustainable forest management practices and value traditional knowledge, which contributes to environmental preservation and the responsible use of natural resources. In the social sphere, they strengthen social capital by encouraging professional training, democratic engagement, and a fairer distribution of the fruits of the economy. Thus, cooperativism not only raises economic indicators, but also strengthens community unity and active citizenship, becoming a significant path for sustainable and inclusive development in the Northern Region.
Keywords: Cooperatives. Credit. System. Economy.
INTRODUÇÃO
O cooperativismo vem se firmando como um relevante modelo organizacional que promove práticas econômicas solidárias, fundamentadas na participação democrática, autogestão e repartição justa de resultados.
No Brasil, sua atuação se faz presente em diversos setores, como agricultura, crédito, extrativismo, transporte, pesca e serviços, desempenhando um papel importante no fortalecimento das cadeias produtivas locais e na promoção das economias regionais.
Na Região Norte do Brasil, que enfrenta desafios socioeconômicos históricos, dispersão geográfica, desigualdade no acesso a mercados e predominância de economias baseadas em recursos naturais, o cooperativismo surge como uma estratégia importante para promover a inclusão produtiva e o desenvolvimento sustentável do território.
Além disso, as cooperativas promovem práticas de manejo sustentável das florestas e valorizam conhecimentos tradicionais, auxiliando na preservação ambiental e no uso consciente dos recursos naturais. No âmbito social, fortalecem o capital social ao oferecer capacitação profissional, incentivar a participação democrática e garantir uma distribuição mais justa dos resultados econômicos.
A atuação cooperativa na Amazônia está profundamente ligada às particularidades culturais e ambientais da área. Em várias situações, as cooperativas se apresentam como uma opção para comunidades extrativistas, ribeirinhas, indígenas e agricultores familiares que desejam conquistar mais independência econômica e comercial.
Entretanto, a organização coletiva fortalece a habilidade de negociação com o mercado, diminui a necessidade de intermediários, amplia o acesso a políticas públicas e promove a valorização da produção local.
Nesse contexto, examinar as contribuições do cooperativismo para o desenvolvimento regional é essencial para entender seus efeitos na geração de renda, inclusão social e sustentabilidade territorial da Região Norte. Essa análise permite identificar tanto os progressos quanto as limitações, levando em conta aspectos como gestão, infraestrutura, financiamento, planejamento de mercado e suporte institucional.
Assim, o cooperativismo não só eleva os índices econômicos, como também fortalece a união comunitária e a cidadania ativa, firmando-se como uma via significativa para o desenvolvimento sustentável e inclusivo na Região Norte.
1 OS IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS GERADOS PELAS COOPERATIVAS NAS COMUNIDADES DA REGIÃO NORTE.
Em um primeiro momento uma pequena abordagem que apresenta os conceitos da Nova Economia globalizada nas comunidades da Região Norte e as teorias que discorrem sobre as decisões de financiamento e aplicação de recursos pelas empresas.
Segundo Brigham (2016, p. 15) afirma que a teoria econômica neoclássica, que fundamenta a visão tradicional, concebe uma decisão como uma escolha em que os comportamentos individuais são racionais e o processo de escolha é simplesmente um problema de maximização.
A Região Norte é definida por uma dinâmica territorial singular, caracterizada pela abundante disponibilidade de recursos naturais, vastas áreas de floresta, diversidade sociocultural e baixa densidade populacional. Essas condições têm um impacto direto nas estruturas de produção e organização socioeconômica das comunidades.
Conforme Nascimento (2020, p. 31), uma parte considerável da população da região participa de atividades primárias, como agricultura familiar, pesca e extrativismo. Nessas situações, os processos de venda geralmente envolvem intermediário, que lucram e reduzem a renda dos produtores.
Nesse cenário, o cooperativismo surge como uma opção para fortalecer o poder de negociação dos trabalhadores, assegurar o acesso direto ao mercado e fomentar a independência econômica (ABREU, 2025, p. 19). Cooperativas de açaí, castanha-do-brasil, borracha, pescado e agricultura familiar vêm se sobressaindo como ferramentas para valorizar as cadeias produtivas sustentáveis.
Outra característica relevante da cooperativa de crédito é seu objetivo social de incentivar a poupança sistemática dos ganhos de seus membros e desenvolver programas de assistência financeira. Além disso, busca oferecer um atendimento adequado aos cooperados e conceder crédito de acordo com suas necessidades, visando torná-los independentes de outras instituições financeiras.
Também é possível prestar outros serviços comumente oferecidos por essas instituições, desde que não conflitem com as normas estabelecidas pelas autoridades reguladoras do funcionamento das cooperativas de crédito.
Baseado na colocação de Rodrigues (2007, p. 35)
As cooperativas de crédito são classificadas como instituições financeiras, integrando o mercado financeiro e competindo nesse ambiente. Além disso, são constituídas por uma sociedade de pessoas sem fins lucrativos, possuindo uma natureza jurídica própria. Essas características são inerentes ao modelo cooperativo, conforme já mencionado, e, no Brasil, estão sujeitas à supervisão e autorização do Banco Central. Assim, integram a estrutura do mercado financeiro de crédito e competem nesse setor. O cooperado é paradoxalmente "proprietário" e "cliente" da cooperativa, o que frequentemente resulta em conflitos internos. Ele geralmente busca um preço elevado ao vender seus produtos ou serviços, enquanto exige preços baixos ao comprá-los. Por outro lado, há estratégias que fortalecem o empreendimento cooperativo. Entre elas, na condição de fatores essenciais para a sobrevivência do cooperativismo no século XXI, estão: o chamado propósito ou enfoque único, que direciona as atividades da cooperativa para uma única atividade econômica capaz de competir e gerar lucros; o controle da oferta em volume e da qualidade do que é produzido; e a proporcionalidade, que exige que os associados contribuam com capital, compartilhem os lucros e tenham direitos de voto de forma proporcional, a fim de evitar o oportunismo.
A globalização econômica tem aumentado consideravelmente a interdependência entre os mercados, intensificado a concorrência e acelerado o fluxo de capitais, tecnologias e informações. Nesse cenário, as cooperativas da região Norte do Brasil se deparam com um ambiente de alto risco, caracterizado por desafios de natureza estrutural, econômica e organizacional. Apesar de serem essenciais para o fortalecimento da economia local, especialmente em regiões rurais e comunidades tradicionais, as organizações enfrentam pressões desiguais no contexto da globalização. (Nascimento, 2020, p. 36)
Primeiramente, a globalização beneficia grandes grupos econômicos que atuam em larga escala, possuindo maior capacidade de investimento, tecnologia e logística. Por outro lado, as cooperativas do norte costumam enfrentar desafios relacionados à infraestrutura, acesso a crédito, suporte técnico e capacitação gerencial, em contrapartida, as cooperativas do norte geralmente lidam com dificuldades ligadas à infraestrutura, obtenção de crédito, assistência técnica e formação em gestão.
Nesse mesmo sentido, Oliveira (2009, p. 36) destaca que criar um modelo para avaliar o desempenho das cooperativas é, sem dúvida, um desafio complexo, mas também de grande relevância. Desafiador, pois as cooperativas são entidades altamente complexas em todos os seus âmbitos econômicos, sociais e políticos, bem como em suas interações com os ambientes interno e externo, o que amplia sua abrangência em comparação com outras organizações.
Os recursos obtidos pelas cooperativas de crédito são direcionados e aplicados nas comunidades em que as agências estão localizadas, abrangendo o efeito operacional, que é apurado anualmente e registrado nas demonstrações contábeis do exercício. Sem suporte técnico apropriado, algumas cooperativas podem ter problemas para manter práticas sustentáveis e atender às exigências regulatórias.
Assim, a globalização da economia coloca as cooperativas da região Norte em uma posição de alto risco, exigindo respostas estratégicas que incluam o fortalecimento institucional, inovação na produção, formação de gerentes e expansão das redes de cooperação. (FARINA, 2007, p. 21)
Para aumentar o valor agregado dos produtos, melhorar o acesso aos mercados e fomentar o desenvolvimento socioeconômico sustentável, são essenciais as políticas públicas, os investimentos em infraestrutura e as ações de integração entre cooperativas e universidades. Sem essas medidas, a região corre o risco de continuar em desvantagem competitiva, o que prejudica sua habilidade de estabelecer um cooperativismo robusto, autônomo e com potencial para transformação social.
2 AS COOPERATIVAS DA REGIÃO NORTE NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E ESTRATÉGIAS INSTITUCIONAIS QUE POSSAM FORTALECER O COOPERATIVISMO NA REGIÃO.
A inserção da região Norte em cadeias produtivas globais frequentemente ocorre de forma subordinada, com baixa agregação de valor aos produtos locais. Como resultado, os cooperados continuam expostos à variação dos preços globais, à necessidade de intermediários e às exigências de certificações e padrões de produção que requerem altos investimentos. Essa fragilidade é acentuada pela falta de políticas públicas consistentes de apoio ao cooperativismo e de estratégias para o desenvolvimento territorial integrado.
As cooperativas no norte do Brasil têm um papel fundamental no fomento do progresso econômico e social, principalmente em regiões onde a presença do Estado e do mercado é escassa. Essas organizações atuam em áreas como agricultura familiar, extrativismo, pesca artesanal, artesanato e economia solidária, contribuindo para a criação de renda, inclusão produtiva e fortalecimento de comunidades tradicionais (BENATO, 2022, p.55)
No entanto, para que o cooperativismo do norte alcance seu pleno potencial, são necessárias políticas públicas sólidas e estratégias institucionais que levem em consideração as particularidades territoriais, socioculturais e ambientais da região.
A pressão ambiental resultante da exploração de recursos naturais, atividade fundamental para várias cooperativas da área, é outro aspecto importante, o interesse global na Amazônia e seus biomas aumentaram com a globalização, gerando tensões entre a preservação ambiental e a geração de renda.
No contexto das políticas públicas, é fundamental implementar medidas de incentivo que assegurem o acesso ao crédito, forneçam assistência técnica contínua, desenvolvam a infraestrutura logística e ofereçam suporte à comercialização. Iniciativas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) demonstram relevância ao priorizar a aquisição de produtos da agricultura familiar e cooperativa (FARINA, 2007, p. 14)
Isso garante um mercado seguro e estimula a formalização da produção, contudo, a eficácia desses programas depende de sua continuidade, desburocratização e expansão de sua abrangência regional. Ademais, políticas voltadas à capacitação e à educação cooperativista são essenciais para o fortalecimento da gestão, da governança e da independência das cooperativas.
Aprimorar a formação técnica, adotar uma liderança participativa e programar um planejamento estratégico ajuda a superar vulnerabilidades internas e diminuir a necessidade de intermediários, a colaboração entre universidades, institutos federais, organizações da sociedade civil e sistemas de cooperativismo, como o Sistema OCB, pode fomentar redes de conhecimento e inovação que atendam às necessidades da Amazônia. (ABREU, 2025, p. 20)
Sob a perspectiva das estratégias institucionais, são fundamentais que as cooperativas fortaleçam as redes de cooperação entre si, estabelecendo parcerias para aquisições conjuntas, compartilhamento de equipamentos, vendas coletivas e certificação de produtos.
O fortalecimento do cooperativismo na região Norte precisa estar alinhado às políticas ambientais e territoriais, valorizando práticas sustentáveis e o uso responsável dos recursos naturais. O apoio governamental e institucional deve promover modelos produtivos que conciliem desenvolvimento local e preservação ambiental, reconhecendo o papel das comunidades tradicionais na proteção dos biomas amazônicos. (GODOY, 2025, p. 47)
Diante disso, cooperativas fortes e organizadas, apoiadas por políticas públicas estruturadas e estratégias institucionais de integração, podem se consolidar como agentes centrais na promoção do desenvolvimento sustentável, na geração de renda e na garantia de direitos socioeconômicos na região Norte.
No âmbito socioambiental, várias cooperativas do norte adotam práticas produtivas sustentáveis, em consonância com a preservação dos biomas amazônicos. Ao estruturar cadeias produtivas sustentáveis, as cooperativas contribuem para que as comunidades permaneçam em seus territórios, prevenindo processos de exploração predatória ou migração forçada. (OLIVEIRA, 2009, p. 63)
3 OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELAS COOPERATIVAS DA REGIÃO NORTE REFERENTES À GESTÃO, FINANCIAMENTO, MERCADO E LOGÍSTICA.
As cooperativas da região Norte lidam com desafios consideráveis que afetam sua sustentabilidade e habilidade de competir no mercado dentre os principais desafios, sobressaem-se aspectos ligados à administração, financiamento, integração no mercado e logística, todos profundamente afetados pelos traços geográficos, sociais e econômicos da área.
Na área da gestão, diversas cooperativas enfrentam desafios na capacitação gerencial, contábil e administrativa, a escassez de profissionais qualificados e a ausência de processos internos consolidados prejudicam a tomada de decisões, o planejamento estratégico e a clareza na governança. Em muitos casos, a administração ainda recorre a métodos informais ou empíricos, o que complica o gerenciamento financeiro, a distribuição de responsabilidades e a participação ativa dos cooperados na direção da instituição. (GITMAN, 2021, p. 55)
No aspecto do financiamento, o acesso ao crédito é limitado e burocrático, Instituições financeiras exigem garantias que muitas cooperativas não possuem, além de taxas e prazos que nem sempre são compatíveis com sua realidade produtiva.
Embora sejam importantes, programas públicos de fomento nem sempre oferecem suporte contínuo ou articulado, resultando em dependência de editais e políticas temporárias, essa fragilidade financeira dificulta investimentos em infraestrutura, equipamentos, capacitação e inovação tecnológica.
Quanto ao mercado, as cooperativas do Norte enfrentam um cenário de forte competição com produtores e empresas de grande escala, que possuem maior capacidade de produção, certificação e distribuição. Além disso, há dificuldades na padronização de produtos, na obtenção de selos de qualidade e na criação de marcas valorizadas.
Nesse mesmo entendimento Benato (2022, p. 56) enfatiza que:
A cooperativa de crédito, assim como todas as demais cooperativas, possui natureza jurídica sui generis, que, por caracterizar-se como sociedade de pessoas, estabelece suas relações em um estatuto social. Devido a isso, o pacto feito entre a cooperativa e seu associado não guarda relação com o que é feito entre o banco e seu cliente. No primeiro existe relação de mutualidade, ou seja, proprietário e entidade e, no último uma oposição de interesses, externa à entidade, além de visar o lucro sobre seu cliente. Nesse sentido, não há vínculo empregatício entre a cooperativa e o associado, pois este é proprietário da cooperativa e participa da distribuição das sobras de acordo com o volume de operações realizadas com a cooperativa.
Um dos desafios mais críticos é a logística o escoamento da produção é dificultado pelas grandes distâncias, pela fraca integração dos sistemas de transporte e por uma infraestrutura limitada, que inclui estradas não pavimentadas, portos inadequados e altos custos de frete. Durante as épocas de sazonalidade climática, muitas regiões ficam isoladas, o que provoca atrasos nas entregas e aumento de perdas. Esse contexto eleva os preços dos produtos locais e diminui sua competitividade em relação aos produtores de outras regiões do país. (ABREU, 2025, p. 87)
Assim, os desafios de gestão, financiamento, mercado e logística constituem barreiras estruturais para o fortalecimento das cooperativas na região Norte para superá-los, são necessárias políticas públicas sustentadas, formação em gestão, estímulos à inovação e aportes em infraestrutura territorial. Também é essencial fomentar redes de colaboração e alianças institucionais que aumentem a autonomia, a eficácia produtiva e a habilidade de inserção competitiva em mercados locais, nacionais e internacionais.
4 RESULTADOS E DISCURSÕES
Os resultados sobre as contribuições do cooperativismo para o fortalecimento econômico e social da região Norte do Brasil mostram que as cooperativas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento local, principalmente em regiões rurais e comunidades tradicionais.
Outro ponto a ser pautado no cooperativismo, ao reunir trabalhadores em torno de metas coletivas, expande as possibilidades de geração de renda, reforça a autonomia produtiva e fomenta a inclusão social, constituindo-se como uma estratégia eficaz para diminuir as disparidades regionais.
O cooperativismo amplia consideravelmente as oportunidades de geração de renda, pois possibilita que a produção seja estruturada de forma colaborativa, diminuindo despesas, fortalecendo a negociação e expandindo o acesso a mercados.
Nesse contexto, o cooperativismo impulsiona a inclusão social ao incentivar a participação democrática, fortalecer laços comunitários e ajudar grupos historicamente marginalizados a obter espaço econômico e reconhecimento social.
Entretanto, constatou-se que as cooperativas proporcionam maior estabilidade aos produtores, diminuindo a necessidade de intermediários e facilitando o acesso a mercados institucionais e privados.
A venda conjunta, o compartilhamento de equipamentos e o planejamento coletivo da produção possibilitam aumentar o valor agregado dos produtos e fortalecer o poder de negociação dos cooperados. Ademais, cadeias produtivas organizadas em torno de produtos regionais, como açaí, castanha, borracha, óleos vegetais e pescado, demonstram ser capazes de impulsionar as economias locais, promovendo a circulação de riqueza dentro do próprio território.
Do ponto de vista social, os resultados indicam que o cooperativismo promove a participação democrática, a autogestão e o fortalecimento das comunidades. Isso também se reflete na expansão do acesso aos direitos socioeconômicos, incluindo crédito rural, assistência técnica, políticas de aquisição pública e iniciativas de educação e formação profissional. A participação dos cooperados nas decisões relacionadas à produção, distribuição de resultados e gestão interna promove o crescimento de habilidades coletivas e individuais, auxiliando no empoderamento dos trabalhadores fortalecimento social.
Por outro lado, a discussão mostra que, embora haja essas contribuições, o cooperativismo na região Norte ainda enfrenta grandes desafios. A sustentabilidade das cooperativas ainda é afetada por limitações na infraestrutura logística, problemas de gestão, acesso limitado a financiamento e condições de mercado desiguais. Esses desafios apontam para a necessidade de políticas públicas duradouras, investimentos em capacitação gerencial, estímulos à inovação produtiva e reforço das redes de cooperação entre cooperativas.
O cooperativismo surge como uma opção estratégica para o progresso da região Norte, particularmente em situações em que a economia é caracterizada pela dispersão geográfica, pela predominância de pequenas unidades produtivas e pela intensa dependência dos recursos naturais.
Ao reunir trabalhadores, agricultores familiares, extrativistas, pescadores e artesãos em torno de metas econômicas e sociais compartilhadas, o cooperativismo proporciona um modelo que pode impulsionar a produção local, aumentar a geração de renda e fomentar a inclusão social.
Essa abordagem colaborativa permite unir esforços para superar restrições individuais, como a falta de recursos financeiros, obstáculos no acesso a tecnologias, habilidades de negociação limitadas e vulnerabilidade em relação a intermediários através da colaboração, grupos produtivos conseguem adicionar valor aos seus produtos.
Assim, é evidente que o cooperativismo se estabelece como uma ferramenta importante para o progresso econômico e social da região Norte, incentivando a inclusão produtiva, a valorização cultural e a utilização sustentável dos recursos naturais.
No entanto, para que alcance seu potencial máximo, é necessário que haja uma articulação entre o Estado, instituições de apoio e cooperados para consolidar um modelo de desenvolvimento territorial.
4 METODOLOGIA
Para o desenvolvimento deste Artigo foi empregada pesquisa bibliográfica, composta, sobretudo de livros e artigos científicos, análise da legislação correlata ao tema e arrolamento de posicionamentos jurisprudenciais e doutrinários. Utiliza-se o método dedutivo baseando-se no estudo de teoria e refinações de conceitos. (SEVERINO, 2007, p. 66)
A metodologia abrange as concepções teóricas de abordagem e as técnicas que potencializam a criatividade do pesquisador e tornam possível a construção da realidade.
A elaboração de um trabalho científico consiste no ordenamento de idéias e de dados, caracterizando um trabalho metódico capaz de construir um objeto, cuja utilidade possa ser compartilhada com outras pessoas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que o cooperativismo representa um instrumento fundamental para o fortalecimento econômico e social da região Norte do Brasil, ao promover organização produtiva, inclusão social e desenvolvimento sustentável, ao articular trabalhadores em torno de objetivos coletivos, as cooperativas ampliam a geração de renda, aumentam o poder de negociação e fortalecem a autonomia das comunidades, especialmente aquelas que dependem da agricultura familiar, do extrativismo e da pesca artesanal.
Além de dinamizar economias locais, o cooperativismo contribui para a preservação dos recursos naturais, valorizando práticas produtivas sustentáveis e respeitando conhecimentos tradicionais, é que elevam o risco, uma vez que esses ativos possuem baixíssima liquidez.
Contudo, para que esse potencial seja plenamente concretizado, é indispensável enfrentar desafios estruturais relacionados à gestão, financiamento, comercialização e logística, que ainda limitam a competitividade das cooperativas.
O fortalecimento de políticas públicas permanentes, o investimento em formação técnica e gerencial e a ampliação de redes de cooperação interinstitucional são caminhos essenciais para garantir maior estabilidade, sustentabilidade e impacto social. Assim, o cooperativismo se afirma como uma alternativa estratégica para a construção de um modelo de desenvolvimento regional que seja economicamente inclusivo, socialmente justo e ambientalmente responsável.
Além disso, o cooperativismo contribui para o uso responsável dos recursos naturais da Amazônia, valorizando práticas produtivas sustentáveis e respeitando saberes tradicional.
Cooperativas que atuam em cadeias da sociobiodiversidade, como açaí, castanha-do-pará, borracha, óleos vegetais e pesca artesanal, demonstram que é possível conciliar produção econômica com a conservação ambiental, garantindo renda sem comprometer os ecossistemas.
Nesse sentido, o cooperativismo não se limita a ser um modelo econômico, mas constitui também uma estratégia de fortalecimento comunitário, de participação democrática e de promoção de direitos socioeconômicos. Para que seu potencial seja plenamente alcançado, entretanto, é necessário ampliar investimentos em capacitação, infraestrutura, assistência técnica e políticas públicas de apoio contínuo.
Dessa forma, o cooperativismo afirma-se como uma alternativa viável e estruturante para a região Norte, articulando desenvolvimento econômico, inclusão social e sustentabilidade ambiental.
Contudo no campo econômico, certamente o aumento do volume de operações das cooperativas de crédito podem ser um indicativo de novos arranjos institucionais locais. Mas, é possível observar uma tensão latente, interna e externa, para viabilizar a prestação de um serviço financeiro local, com todos os produtos e serviços bancários, mas sem ser, efetivamente, um banco.
A continuidade da canalização de recursos locais em prol de um projeto de desenvolvimento passa, necessariamente, pelo emprego de práticas de inovação sem distanciar-se dos princípios cooperativos.
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Cirurgiã Dentista-Universidade Federal do Amazonas-Especialista em Odontologia - Saúde Publica - Universidade Federal do Amazonas-Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde - Universidade Nilton Lins-Especialista MBA em Gestão de Cooperativas - Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas-Centro de Ensino e Pesquisa de Pós Graduação do Norte-Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar-Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob Uniam
Conforme a NBR 6023:2000 da Associacao Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto cientifico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: PASSOS, Silvia Luiza Simões. Contribuições do cooperativismo para o fortalecimento econômico e social da Região Norte do Brasil Conteudo Juridico, Brasilia-DF: 05 jan 2026, 04:54. Disponivel em: https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/69941/contribuies-do-cooperativismo-para-o-fortalecimento-econmico-e-social-da-regio-norte-do-brasil. Acesso em: 12 jan 2026.
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